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Crise no Flamengo: falta de harmonia sem Rafinha e Jesus, ‘herança’ de Dome e cargos para aliados

Todos os furos e informações contida neste artigo foram feitos pelo Jornal O Globo.

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O vestiário do Flamengo fala, apesar do silêncio dos jogadores e diretoria após nova derrota para o São Paulo. Há um ambiente confuso no futebol do clube e não é de hoje. A eliminação da Copa do Brasil, consumada em meio a um surto de lesões de jogadores, é apenas um dos efeitos colaterais. Segundo O GLOBO apurou, não há mais a liga entre os atletas que havia em 2019. Nem entre o elenco e a direção, o que se reflete nas mudanças recentes na comissão técnica. O excelente elenco, que até agora dava conta pela elevada técnica, não resistiu a uma série de questões extracampo que interferem nos jogos.

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O cenário já se avizinhava no momento da saída de Jorge Jesus. Até o início da pandemia, havia harmonia plena no grupo de jogadores e funcionários e deles para com o comando do futebol, do vice-presidente Marcos Braz. O adeus do português intensificou mudanças na pasta, e os atletas tentaram tomar as rédeas diante do vácuo de poder. Jesus, que centralizava todas as decisões, não deixou nenhum de seus métodos como herança, e o processo de reformulação iniciado no ano passado aumentou.

Indicações pessoais

O sinal de que o clima não estava dos melhores e poderia piorar foi a saída de Rafinha para a Grécia, em agosto, após a chegada de Domènec Torrent. Desde então, o dia a dia no Ninho do Urubu passou por mudanças sensíveis. O lateral era fundamental para a harmonia do grupo. Cabeça da chamada geração de 1985, ano do nascimento de alguns dos jogadores veteranos, que conta com Diego Alves, Filipe Luis, Diego Ribas, Rafinha unia a todos. Os mais novos, mais velhos, estrangeiros e até os evangélicos nos churrascos e pagodes recorrentes. Desde que saiu, o elo se afrouxou. Não há racha no elenco. Longe disso. Só não existe a mesma harmonia. A mesma liga que levou às conquistas em 2019.

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Assim, alguns interesses pessoais começaram a aparecer. Os atletas passaram a ter voz mais ativa na escolha de profissionais da comissão técnica. E conseguiram. O que fez o vice de futebol ceder. No meio deles, ficou o chefe do departamento médico, Márcio Tannure. Enquanto Marcos Braz indicou Diego Paiva, seu fisioterapeuta pessoal, que nunca havia trabalhado em clubes, os jogadores receberam aval para ter o preparador físico Rafael Winick, professor particular de atletas como Diego Ribas, Filipe Luis e Rodrigo Caio.

Tannure tentou oxigenar o setor com novas ideias. Demitiu o médico Gustavo Caldeira, que se destacava e era muito elogiado internamente, mas teve que “engolir” o retorno de Marcelo Soares, que trabalhara no clube com José Luiz Runco há alguns anos, em outra metodologia. O chefe do departamento trouxe para seu lado Fernando Bassan, amigo do Hospital Vitória, mas não conseguiu evitar o retorno do preparador físico Alexandre Sanz, outra indicação de Braz, que chegou a ser afastado ano passado da função, e participou da campanha eleitoral da gestão atual.

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A influência sobre a comissão técnica não para por aí. O goleiro Diego Alves ainda centraliza as discussões por renovação de contrato e tenta prevalecer na questão financeira depois de não ter seus desejos atendidos. Ele repreendeu a demissão do preparador de goleiros Nielsen Elias e não queria mais trabalhar com o atual, Wagner Miranda. Braz vetou em meio às negociações.

A perda dos processos de trabalho

Recentemente, a chegada do técnico Domènec Torrent foi a principal aposta pessoal do vice de futebol, sem consultar os jogadores. Não deu certo, o grupo não comprou a ideia, mesmo com o pedido de ajuda do dirigente antes da apresentação. Apesar da boa vontade, Dome foi criticado internamente por não conseguir implementar um método de trabalho, o que prejudicou o time na parte física. A equipe, por outro lado, não escondeu o entusiasmo com a chegada de Rogério Ceni. O novo técnico encontra um Flamengo fragmentado. Não apenas pelas baixas oriundas das lesões, mas com processos de trabalho deteriorados. Mas tem a boa vontade de todos no Ninho do Urubu.

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Só que após as trocas na comissão técnica, também piorou a comunicação entre as áreas. O modo de trabalhar do Centro de Excelência em Performance, que é comandado por Tannure desde 2016, consequentemente sofreu prejuízo na tentativa de evitar tantas lesões. O Flamengo não tem desde o ano passado o fisiologista Daniel Gonçalves e o fisioterapeuta Fred Manhães, ambos hoje no Palmeiras, o preparador físico Diogo Linhares, que foi para o Japão, mesmo destino do fisioterapeuta Fabiano Bastos, que deixou o clube na última semana. Também abriu mão do psicólogo Alberto Filgueiras em 2019. Ceni, assim que chegou, se assustou com o número de lesões, a queda física e o abatimento emocional.

A numerosa comissão de Jorge Jesus implementou suas ideias entre junho de 2019 e o começo de 2020, e sua saída obrigou um processo de reconstrução de filosofia que ainda não encontrou um novo norte. Sai rodízio, entra rodízio, o Flamengo ainda parece perdido.

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Procurado pelo GLOBO, o clube não se posicionou até a publicação desta reportagem.

 

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