Flamengo viveu terça-feira importante também nos bastidores no mesmo dia em que goleou o Unión La Calera, por 4 a 1 na Conmebol Libertadores. Em busca de alternativas para aliviar o caixa diante da crise financeira gerada pela pandemia, o clube conseguiu uma de grande porte.

O Mercado Livre estampará a parte superior das costas do uniforme. Patrocínio de R$ 30 milhões pelo vínculo de 20 meses, até o fim de 2022, praticamente o dobro do valor anterior pago pela MRV no mesmo espaço – o Conselho Deliberativo ainda precisa aprovar o contrato.

A negociação durou três meses, e as partes enfim chegaram a um consenso. A intenção era uma parceria longa, com possibilidades de extensão futura. A empresa é líder no segmento de e-commerce na América Latina. E os valores, claro, agradaram aos dirigentes rubro-negros.

Proporcionalmente é o equivalente a R$ 18 milhões a cada ano. A MRV, que estampou a camisa no contrato válido em 2019 e 2020, pagava quase R$ 10 milhões por temporada. Na média, o acerto com o Mercado Livre vai render R$ 1,5 milhão por mês aos cofres do Fla.

Com isso, a Amazon saiu da disputa. A gigante norte-americana até chegou a namorar com o Flamengo em 2020, mas, com o baque da pandemia, reduziu o valor inicial em 30% e o negócio esfriou. Na Supercopa do Brasil neste ano houve uma reaproximação.

As conversas esquentaram, e clube e empresa fecharam um patrocínio pontual na decisão contra o Palmeiras. O papo continuou, mas o longo prazo oferecido pelo Mercado Livre foi determinante.

Briga velada

O anúncio representou uma resposta a uma briga velada nos bastidores do clube. Recentemente, membros da cúpula do futebol apontavam o dedo para o trabalho do marketing para explicar insucessos e demoras em negociações, como foi o caso da fracassada tentativa de trazer de volta o lateral Rafinha e nas conversas pela renovação do goleiro Diego Alves.

R$ 74,6 milhões por ano

Aos poucos, o Flamengo retoma as perdas no uniforme provocadas pela crise econômica da pandemia. O clube conta com o BRB como patrocinador master, na parte nobre da camisa, com um acordo fechado em 2020; a Total Petrolífera tem acerto válido até o fim de 2021; a Sportsbet.io tem vínculo vigente até o fim deste ano; a Moss estampa a marca nos meiões do uniforme até dezembro; e a TIM está dentro dos números da camisa.

Os contratos tem valores reajustados com base no IGP-M e rendem R$ 74,6 milhões anuais ao Flamengo: R$ 32 milhões com o BRB, R$ 18 milhões agora com o Mercado Livre, R$ 11,1 milhões do Sportsbet.io, R$ 7,4 milhões da Total, R$ 3,6 milhões da Moss e R$ 2,5 milhões da TIM.

Restam ainda espaços no short de jogo e na manga da camisa. O antes criticado departamento de marketing mantém conversas na busca por parceiros que venham a expor nas regiões citadas.

Flamengo x Palmeiras

Na comparação com os principais rivais do cenário nacional, o Flamengo ainda fatura menos anualmente que o Palmeiras, equipe brasileira que mais arrecada com patrocinadores.

O time alviverde tem a garantia de R$ 81 milhões da Crefisa. Os rubro-negros, porém, argumentam que os espaços ainda vagos em seu uniforme podem superar o montante do rival.

Na valorização do trabalho da Gávea, representantes do Flamengo ainda lembram que o fato de não celebrarem acordos exclusivos para a camisa, como é o do Palmeiras com a Crefisa, permite melhores negociações.

Os cariocas ainda ressaltam a dívida de cerca de R$ 120 milhões dos paulistas com a empresa de Leila Pereira referente a uma determinação da Receita Federal envolvendo direitos econômicos de jogadores.