A torcida do Flamengo não se agradou muito com o trabalho de Rogério Ceni até o título do Campeonato Brasileiro . Dentro da diretoria, porém, o apoio sempre existiu. Em entrevista exclusiva à ESPN Brasil , o vice de futebol, Marcos Braz, reafirmou o compromisso que existe com o treinador e comparou a situação do país com as vividas na Premier League , na Série A e no Campeonato Português .

“O Rogério tem contrato com o Flamengo até 31 de dezembro, final dessa gestão, é o atual campeão brasileiro. Com todo respeito ao Fortaleza, time importantíssimo no Brasil e no Nordeste, mas não tem as turbulências que um time como o Flamengo tem. Errou? Pode ter tido erros, como todo mundo erra. Ele estava sem tempo para trabalhar. Mas o resultado veio, é o atual campeão brasileiro. Tem contrato em vigência. Eu respeito muito a torcida, sem querer rasgar seda, mas a gente tem técnico, um cara comprometido com a causa”, disse.

“Esquece o resultado do oitavo título brasileiro. Rogério chegou outro dia, aqui, precisa de tempo, até para se soltar. Teve uma relação histórica com outro clube, mas como jogador. A gente não pode se atrelar só a isso, não. Se fizer uma análise na Inglaterra, quem era o grande favorito era o Liverpool. Na Itália, a Juventus. Em Portugal, Porto e Benfica, sempre. Vê o que está acontecendo no mundo inteiro. Flamengo não tem nada a ver com isso, eu concordo. Mas a gente não pode ser insensível”, completou.

Braz ainda falou sobre o fantasma de Jorge Jesus que existe no clube, afirmando que ele ainda existirá por muito tempo e não negando que ele possa voltar ao clube no futuro.

“Primeiro, eu acho que o fantasma do Jorge Jesus vai ficar por aqui por muito tempo. Não só com Rogério Ceni, mas o dia que tiver outro treinador, também. Quando se pergunta para o Jorge Jesus lá se há possibilidade dele voltar aqui, até acho que tem. E essa possibilidade pode até acontecer sem eu estar aqui”, afirmou.

“A relação histórica que ele conseguiu, foi uma relação com o Flamengo, não com o Marcos Braz. Então, esse fantasma continuará aí. Da mesma maneira que ele um dia voltar também é possível. Mas, hoje, ele tem contrato em vigência com um dos maiores clubes de Portugal. Eu sou conhecedor do contrato lá. Tenho relação boa com o presidente do clube que ele tem esse contrato”, revelou.

Por fim, o vice de futebol rubro-negro voltou a defender o trabalho de Rogério Ceni, destacando a necessidade da longevidade para que um trabalho possa dar certo no Brasil e no mundo.

“A gente tem que ter paciência, calma e entender que a gente jogou um ano de pandemia sem público e sem as receitas que tinha. E a gente vai, muito provavelmente, ter mais um ano sem público. A vacina está aí, mas os números de vacinados tem 2,8%, com 1% na segunda dose. Para lotar o Maracanã, a gente vai precisar de muito tempo, ainda. E se eu tenho um técnico campeão, que eu acho que vai ter um bom desempenho, não vai ser essa peça que eu vou mexer”, relembrou.

“De 2013 a 2019, o Flamengo teve 13 técnicos. Um técnico a cada cinco meses. Em nenhum lugar do mundo, isso funciona, tem que ser combatido. Eu não quero entrar nesse caminho, porque não tem fim. Eu não vou participar disso. O Rogério é um bom técnico, campeão brasileiro, vamos ver o estadual e a Supercopa. Isso não dá certo, é ruim para o jornalista, para quem cobre, para o futebol brasileiro”, finalizou.